O Caráter é Ainda um
Problema Importante?

 

MAJOR CARL D. REHBERG, USAF*

 

O caráter é a pedra fundamental sobre
a qual repousa o edifício da lide-rança….
Sem [caráter], especialmente na profissão militar,
resulta o fracasso na paz, a catástrofe na guerra ou,
na melhor das hipóteses, a mediocridade em ambas
as situações.

— Gen Matthew Ridgway

AINTENÇÃO DA ATUAL iniciativa de promoção dos valores centrais da Força Aérea é, não apenas nobre, mas de vital importância. A iniciativa consiste na publicação do United States Air Force Core Values (também conhecido como Little Blue Book [Livrinho Azul])1 e de três estratégias principais: uma no “tecido” da escola (educação), uma no tecido de campo (elementos de liderança), e uma fase de continuação. Inclui, também, The Guru’s Guide e um curso de quatro dias que prepara gurus para traba-lhar nesse programa.2 De maneira diferente da iniciativa de valores centrais de

* Meu agradecimento especial a amigos, estudiosos e colegas que me deram o estímulo e o auxílio editorial que tornaram este artigo possível.

O Global Engagement: A Vision for the 21st Century Air Force sublinha a importância de nossos valores centrais e prepara o caminho da Força Aérea do futuro.3 Com estrutura abrangente e coerente, o programa atual talvez seja um dos que foram mais bem planejados em termos de políticas, em geral.4 Ele inclui, também, alguns métodos e técnicas de ensino inovadores.

De um modo geral, as pessoas envolvidas com a iniciativa devem ser elogiadas por seu esforço. Contudo, precisamos considerar e analisar diversos desvios de paradigma perturbadores, para aperfeiçoar esse programa tão crítico para o futuro da Força Aérea.

Historicamente, a educação do caráter sempre foi parte integrante da profissão militar, na cultura ocidental. Aristóteles, preceptor de Ale-xandre, o Grande, desenvolveu uma teoria, em filosofia, em termos de virtudes ou traços excelentes de caráter. Aristóteles acreditava que a pessoa se pode tornar ótima realizando ações ótimas até que se habitue a agir desse modo. “Ao longo dos séculos, a carreira das armas desenvolveu um certo número de princípios, traços, rituais e códigos que têm servido aos soldados muito bem, na paz e na guerra.”5 Neste país temos aproveitado o grande conhecimento dos sábios e estimulado os aspectos religiosos e espirituais da vida, desde nosso primeiro comandante-em-chefe.6

Numa tese recentemente elaborada, no Air Force Institute of Technology, Gregory J. Dierker identifica mudanças significativas na mais recente iniciativa de promoção de valores na Força Aérea. No aspecto positivo, as mudanças incluem maior comprometimento dos comandantes e uma concentração no ambiente ético. No aspecto negativo, as mudanças incluem “uma ênfase reduzida no desenvolvimento do caráter e um papel grandemente redu-zido do capelão nessas iniciativas referentes a valores”7 (veja-se a tabela).

Tabela
Comparação das iniciativas de promoção de valores da USAF

 

Ênfase no
Desenvolvimento
do Caráter

Nível do
Envolvimento do
Capelão

Ênfase
Espiritual

Ênfase
Principal no
Ambiente Éticoa

Iniciativa de
Valores Centrais -
1997

Não

Muito baixo

Muito baixa

Sim

Iniciativa de
Valores Centrais -
1993

Sim

Envolvido

Indireta: mais
do que 1997

Não

Educação em
Valores, para
Adultos (1974)

Sim

Alto

Relativamente
Alta

Não

Programa de
Liderança Moral
(1961)

Sim

Alto

Muito Alta

Não

Dinâmica de
Liderança Moral
(1957)

Sim

Alto

Muito Alta

Não

Programa de
Orientação de
Caráter (1948)

Sim

Muito Alto

Muito Alta

Não

Fonte: Adaptado de Gregory J. Dierker, “Core Values:  A History of Values-Related Initiatives in the Air Force” (thesis, Air Force Institute of Technology, September 1997), 154–55.

a O ambiente ético inclui políticas, processos (sistemas) e procedimentos.

Um Paradigma que se
Afasta do Caráter?

Nossa primeira tarefa é ajustar organizações; o desenvolvimento do caráter individual é possível, mas não é um objetivo.

— Little Blue Book

Com esta afirmativa ousada, o Little Blue Book proclama um desvio de ênfase inquestionável. Ele também observa que “muito antes de procurarmos implementar um programa de desenvolvimento de caráter, precisamos avaliar completamente nossas políticas, processos e procedimentos e, quanto necessário, corrigi-las”.8 O The Guru’s Guide vai mais longe ainda no descartar e confundir a questão do caráter: “provavelmente haverá um desenvolvimento do caráter…mas isso será um subproduto auspicioso e não um objetivo estratégico”.10 Isto é, na melhor das hipóteses, confuso e, na pior das hipóteses, um desvio de paradigma.

Através da história, as pessoas que serviram as forças armadas sempre souberam que a eficácia e o êxito têm como base muito mais a qualidade moral dos oficiais e do restante do pessoal do que a especialidade técnica.11 O Gen Nathan Twining, ex-chefe do estado-maior da Força Aérea, escreveu que “apenas proficiência técnica não é bastante”.12 As me-lhores armas que o dinheiro pode comprar perdem literalmente o valor a menos que se tenha gente que possa raciocinar criticamente e usá-las de maneira apropriada. Também são necessários chefes militares que mereçam respeito e confiança. Como escreve o Cel Anthony E. Hartle, de West Point, “as pessoas de caráter forte são o recurso fundamental de qualquer organização militar”.13 Historicamente, o caráter e a competência têm sido os fundamentos do profissionalismo e da li-derança. Escreve Lewis Sorely: “a essência do profissionalismo é o caráter”.14 “Em mais de 500 entrevistas com oficiais-generais das forças armadas, o Dr. Edgar Puryear descobriu que a qualidade mais importante da chefia, sem exceção, era o caráter”.15

O desenvolvimento do caráter, pessoal ou profissional, é essencial porque a organização consiste nos caracteres de seus membros individuais. É interessante observar que os dois especialistas nessa área, de notoriedade nacional, Dr. W. Edwards Deming e Dr. Stephen Covey, acreditam que precise haver mudanças tanto nas organizações quanto nas pessoas. Indo mais longe, o Dr. Covey afirma que as pessoas precisam sofrer mudanças primeiro: “não apenas a mudança no pessoal precisa preceder a mudança organizacional, mas a qualidade das organizações”.16

O Título 10 do Código das Forças Armadas dos Estados Unidos sublinha a importância do desenvolvimento do caráter individual: “Exige-se que todos os comandantes e outros detentores de autoridade na Força Aérea exibam, eles próprios, um bom exemplo de virtude, honra, patriotismo e obediência; ser ou estar vigilante quanto à conduta de todos os que forem colocados sob seu comando; prevenir e fazer cessar todas as práticas imorais dissolutas”.17

O que mudou de modo que o desenvolvimento do caráter já não seja importante? O Manual da Força Aérea (AFM) 50-21, Living for Leadership, observa que seu propósito é “ajudá-lo a desenvolver seu caráter em termos do ideal da tradição americana”.18


Historicamente, as academias de todas as Forças têm enfatizado o desenvolvimento do caráter, e a Academia da Força Aérea e a Academia Naval criaram departamentos para tratarem desse tópico. Ironicamente, a Força Aérea, de um modo global, parece estar movendo-se em outra direção.


Também se vê um possível desvio de paradigma na exigência de “fé no sistema”. Não há dúvida de que o uso, aqui, do termo é errado: nossa fé deve ser posta em um princípio elevado ou em um Ser Supremo, mas não em um “sistema”. Pode-se solapar o sistema e fazer mau uso dele; além disso, um sistema (por exemplo, uma burocracia), permite que se mantenham aparências enquanto são permitidas falhas e erros pessoais. Não deveríamos nós voltar à ênfase no caráter pessoal e profissional? Podemos depositar confiança em indivíduos de caráter forte e honrado, mas não em um sistema. As pessoas que imaginam que contornamos a necessidade de caráter porque estamos numa revolução nos assuntos militares (RMA) deveriam pensar melhor.

Minimizar o Envolvimento
do Capelão?

Na seção do Little Blue Book intitulada “The Core Values Strategy” (Estratégia para os Valores Centrais), a afirmativa que se põe bem no início estabelece uma divisão em relação aos programas eclesiásticos: “a estratégia para os Valores Centrais existe independentemente dos programas da capelania, e não concorre com eles”.19 Não deveriam os capelães trabalhar em concordância com a estratégia dos valores centrais, em vez de ficar separados dela? Inicialmente, os capelães eram credenciados para trabalhar em áreas que se referissem ao caráter. Nos tempos iniciais, a Força Aérea definia a função do capelão da seguinte maneira: “primordialmente um ministro religioso e, nessa qualidade, assessor do comandante geral ou do oficial comandante em todos os assuntos relativos à vida religiosa e aos fatores morais e edificadores do caráter, em um determinado comando”.20 Ao ignorar a dimensão espiritual,21 podemos estar adotando o que o professor de direito Stephen L. Carter, de Yale, chama “cultura da descrença”, de maneira seme-lhante ao restante da sociedade que ridiculariza, desdenha e zomba de quem trata seriamente os assuntos espirituais.22

Não há dúvida de que a dimensão espiritual pode fornecer motivação positiva para fazer o que seja certo. As raízes espirituais podem oferecer um fundamento sólido, motivação e um senso de importância e finalidade para fazer o que é correto. “A educação do caráter pode ser vazia e conduzir a equívocos quando ministrada em um currículo omisso a respeito de religião”.23 O reinado do secularismo radical, ou da “cultura da descrença”, traz conseqüências. Segundo William Bennett, “qualquer que seja a sua fé — ou, até, se você não tiver qualquer fé — é um fato que quando milhões de pessoas param de acreditar em Deus, ou quando a crença delas fica tão atenuada que só acreditam nominalmente, seguem-se conseqüências gigantescas para a vida pública. E quando isto é seguido por uma aversão à linguagem espiritual por parte das classes intelectual e política, as conseqüências públicas são ainda maiores.”24

O Little Blue Book e o Guru’s Guide nada dizem de positivo a respeito de religiosidade ou religião, embora estabeleçam, claramente, uma atitude, em várias áreas, de que a religião nada tem a ver com isso. Por exemplo: “os militares precisam lembrar-se que a escolha religiosa é assunto da cons-ciência pessoal”.25 Por que não incluir, para equilibrar, uma afirmativa como: “os comandantes devem estimular e apoiar seus subordinados para que desenvolvam a própria espiritualidade”. É uma questão de exercício livre da religião e um reco-nhecimento do papel positivo desempe-nhado pela religião para um número avassalador de pessoas nas forças armadas. Embora esse documento não seja clamorosamente anti-religioso ou intole-rante, parece ignorar o domínio espiritual.

O Little Blue Book e o Guru’s Guide ignoram como os aspectos espirituais podem ser uma parte positiva do processo integral. Podemos buscar um exemplo na Academia da Força Aérea dos Estados Unidos.26 O Character Development Manual [Manual do Desenvolvimento do Caráter], da Academia, afirma que “os fundadores da Academia reconheceram claramente a importância de uma vida espiritual saudável para a formação de oficiais equilibrados. Eis porque temos o Domínio Ético/Espiritual. Embora o aspecto espiritual não seja uma obrigação, fornece a numerosos cadetes forte motivação para o desenvolvimento do caráter”.27

Em artigo recente para o Airpower Journal, o Cel Charles R. Myers fez um trabalho admirável ao defender os valores centrais de alguns ataques injustificados.28 Enquadrando a estrutura da moralidade no contexto do raciocínio moral ele marginaliza a importância do domínio afetivo que dá à pessoa o propósito e a motivação para fazer coisas corretas. Fazer a coisa certa quando seria mais fácil não fazê-la pode ser a pergunta de $64,000 em ética. Quando nos motivamos para fazer as coisas certas? Como mudam as nossas inclinações ou os nossos desejos? Segundo Platão, esse “elemento vigoroso” não deve ser ignorado.29

O funcionalismo do Little Blue Book parece vazio e clama por uma filosofia mais profunda. Ele apresenta os valores centrais como puramente funcionais, sem qualquer atenção aos fundamentos, as motivações mais profundas, essenciais à compreensão e prática éticas. Considerando-se o movimento pós-mo-dernista que está varrendo os círculos acadêmicos e intelectuais desse país, os funda-mentos são criticamente importantes.30

Educação Militar do Caráter:
Mais do que Valores Centrais

Valores centrais são de vital importância para a Força Aérea do amanhã. A educação do caráter sempre envolveu valores. Os valores centrais e o ambiente ético são, apenas, partes do desenvolvimento do caráter. De acordo com a Instrução 36-158 da Academia da Força Aérea Supporting Cadet Character Development [Apoiar o Desenvolvimento do Caráter do Cadete], “o desenvolvimento do caráter abrange mais do que o Código de Honra; inclui, também, os Valores Centrais da Academia e da Força Aérea, os Resultados do Desenvolvimento do Caráter, da Academia, relações humanas, ética e desenvolvimento moral e espiritual”.31 Além disso, as academias militares têm, como fundamento, a idéia do desenvolvimento de virtudes.

Pelos últimos seis anos, as escolas públicas começaram a voltar à educação do caráter. Historicamente, as academias de todas as Forças têm enfatizado o desenvolvimento do caráter, e a Academia da Força Aérea e a Academia Naval criaram departamentos para tratarem desse tópico. Ironicamente, a Força Aérea, de um modo global, parece estar movendo-se em outra direção. “Um número muito maior do que o esperado de escolas dos Estados Unidos introduziu [em seus currículos] educação do caráter, durante o período de 1993-1995, ou se está dispondo a fazê-lo logo…. A rápida difusão da educação do caráter ora em curso representa uma volta ao papel tradicional das escolas como uma das mais importantes instituições da sociedade para desenvolver o bom caráter nos jovens.”32

O argumento é que os valores centrais são importantes, mas não são suficientes. Não podem ocupar o lugar do abrangente desenvolvimento do caráter. A educação do caráter é um tratamento abrangente, multifacetado do desenvolvimento moral.33

O programa de Valores Centrais é um bom primeiro passo em uma das áreas do desenvolvimento do caráter. Se verdadeiramente nos preocupamos com a Força Aérea do século XXI, podemos e precisamos fazer muito mais. Primeiro, deveríamos fazer do desenvolvimento do caráter uma questão central, não apenas um objetivo estratégico ou só um outro programa.34 Segundo, a Força Aérea deveria começar a adotar como critério número um para seleção e promoção: um caráter forte e honrado.35 “Boas pessoas nem sempre são bons soldados, mas bons soldados são sempre boas pessoas.”36 Terceiro, precisamos adotar uma arquitetura de desenvolvimento do caráter que inclua o o ensino das virtudes e da ética, especialmente as virtudes cardeais37 e o desenvolvimento da consciência, do raciocínio ético e da tomada de decisão.38 Quarto, deveríamos trabalhar com os capelães, reconhecer a importância da dimensão espiritual e usar o Corpo de Capelães de um modo positivo.39 Quinto, necessitamos de um documento subseqüente ao Little Blue Book que delineie nossas filosofias de caráter e liderança, tal qual faz o Corpo de Fuzileiros em seus Manuais das Forças de Fuzileiros da Esquadra. Sexto, precisamos estimular e apoiar a volta da educação do caráter nas escolas públicas, que tem forte apoio em ambos os partidos* Sétimo, deveríamos começar um estudo abrangente similar ao 1988 Ethics in the US Air Force, para avaliar nossos pontos fracos e fortes.40

* A expressão ‘ambos os partidos’ significa ‘do governo e da oposição’, visto o virtual bipartidarismo do sistema político americano. — Nota do Editor.


“Boas pessoas nem sempre são bons soldados, mas bons soldados são sempre boas pessoas.”


A volta ao desenvolvimento do caráter, com maior envolvimento dos capelães, como objetivo estratégico e questão central, nem será fácil, nem uma panacéia — mas é a coisa certa a fazer. O caráter é mais do que um programa. Precisa ser tão importante quanto as armas que construímos e, mesmo, quanto a nossa reverência completa à autoridade do orçamento. É a pedra angular de nosso recurso mais importante — gente! Precisamos ser fiéis aos ideais de Dever, Honra, Pátria41, porque a verdade importa e o caráter tem sido (e deve continuar a ser) um problema importante para a Força Aérea, agora e quando entrarmos no século XXI.

Notas

1. United States Air Force Core Values (Washington, D.C.: Department of the Air Force, 1997). Daqui em diante referido como Little Blue Book.

2. O Little Blue Book, o Guru’s Guide, discursos, citações, ensaios, periódicos, diretrizes e outros documentos relacionados à iniciativa de promoção de valores centrais: on-line na Internet, disponível em http://www.usafa.af.mil/core-value. Gurus são pessoas selecionadas pelo comando local (de ala para cima) para funcionarem como assessores e gerentes de recursos e como fontes de informação local autorizada a respeito da iniciativa de promoção dos valores centrais.

3. Global Engagement: A Vision for the 21st Century Air Force (Washington, D.C.: Department of the Air Force, 1997).

4. Gregory J. Dierker, “Core Values: A History of Values-Related Initiatives in the Air Force” (thesis, Air Force Institute of Technology, September 1997), 83.

5. James H. Toner, True Faith and Allegiance: The Burden of Military Ethics (Lexington, Ky.: University Press of Kentucky, 1995), 128.

6. “A importância do capelão para a saúde moral da unidade e sua influência nela e nos assuntos espirituais tem sido valorizada, por toda a história do Exército, desde nosso primeiro comandante-em-chefe até o atual.” Veja-se Army Regulation 165-1, Chaplain Activities in the United States Army, 31 August 1989, 5.

7. Dierker, viii.

8. Little Blue Book.

9. Observem-se as seguintes definições de caráter: (1) “A soma das qualidades de excelência moral que estimula um indivíduo a fazer a coisa certa, que se manifesta por meio de ações apropriadas e corretas, a despeito de pressões externas ou internas para fazer o oposto” [Academia da USAF]; (2) “O caráter descreve a força interior de uma pessoa e a conexão entre valores e comportamentos” [FM 22-100]; (3) “Conhecimento, sentimento e comportamento morais: conhecer o bem, desejar o bem e praticar o bem [Thomas Lickona]; e (4) “Excelência moral: conduta correta (autocontrole, moderação) em relação a si mesmo e em relação aos demais” [Aristóteles]. United States Air Force Academy, Character Development Manual (Colorado Springs, Colo.: US Air Force Academy, December 1994), 9–10.

10. Guru’s Guide, VI-3.

11. Veja-se Richard A. Gabriel, To Serve with Honor: A Treatise on Military Ethics and the Way of a Soldier (Westport, Conn.: Greenwood Press, 1982).

12. Air Force Manual (AFM) 50-21, Living for Leadership, August 1955, prefácio.

13. Anthony E. Hartle, Moral Issues in Military Decision Making (Lawrence, Kans.: University Press of Kansas, 1989), 84.

14. Apud, 117.

15. Character Development Manual, 18; e Dr. Edgar Puryear, 19 Stars (Novato, Calif.: Presidio, 1971).

16. Stephen R. Covey, Principle-Centered Leadership (New York: Simon and Schuster, 1992), 265.

17. Título 10, United States Code Armed Forces, sec. 8583, in S. 936. Essa exigência entrou em vigor em 18 de novembro de 1997. Historicamente, a Força Aérea adotou posição similar. “Um oficial, ou qualquer outro chefe na Força Aérea, é responsável pelo desenvolvimento moral e militar dos seus homens.” AFM 50-21, 59. Veja-se, também, Rick Maze, Commanders Face New Leadership Requirements,” Air Force Times 58, no. 18 (18 December 1997): 7.

18. AFM 50-21, 4.

19. Little Blue Book.

20. Dierker, 157. Embora as atuais instruções da Força Aérea já não contenham essa exigência, o Exército a mantém. Segundo o Army Field Manual (FM) 16-1, Religious Support, 26 May 1995, “O capelão desenvolve e implementa atividades e programas religiosos e assessora o comandante no que se trata da religião, da moral e do moral” (página 2). Além disso, a Army Regulation 165-1 dá apoio a essa noção com um capítulo inteiro a respeito das responsabilidades dos capelães no treinamento de uma liderança moral. Segundo o SECNAVINST 1730.7A, The Chaplain Corps, 2 September 1993, os capelães “assessoram o comandante ou quem esteja no comando em questões morais e oferecem sugestões a programas que enfatizem os valores centrais da força naval” (página 2).

21. As palavras espiritual e religioso são usadas como sinônimas neste artigo. Espiritual refere-se à relação intangível que temos com o sobrenatural. Religioso não se refere à prática religiosa, o que tende a sugerir regras, desempenho exterior, falsas aparências e assim por diante. Veja-se Dr. Ron Jenson, Making a Life, Not Just a Living (Atlanta: Thomas Nelson Publishing, 1995), 155.

22. Para muitas pessoas, as crenças religiosas fornecem uma forte motivação para o agir ético e o desenvolvimento do caráter. Isto não sugere que pessoas sem convicções religiosas não tenham caracteres fortes e honrados. Segundo o Ten Cel Terry Moore, USAF, na reserva, primeiro chefe da Divisão de Caráter e Ética, do Centro para o Desenvolvimento do Caráter, “mesmo aqueles que não são ‘religiosos’ no sentido tradicional, freqüentemente podem ter um ‘compromisso espiritual’ em um sentido mais amplo. Essas pessoas têm um sentido de humildade que surge da compreensão de como seus propósitos individuais se encaixam no contexto de algo que é maior do que elas”. Veja-se Character Development Manual, 42. A pergunta maior é: é mais provável que as pessoas sejam boas sem Deus? As pessoas podem ser boas sem religião, Deus, ou consciência espiritual exatamente como pessoas religiosas ou voltadas para a espiritualidade podem ser más. A questão é: qual a probabilidade e a prevalência deste caso? Veja-se Dennis Prager, “Can You Be Good without God?” Ultimate Issues 9, no. 1 (1993); e Stephen L. Carter, The Culture of Disbelief: How American Law and Politics Trivialize Religious Devotion (New York: Basic Books, 1993). Tanto para o ateu quanto para o teísta, esse debate oferece dissonância cognitiva.

23. Charles Haynes, “Character Education in the Public Schools,” in Finding Common Ground (Nashville: Freedom Forum First Amendment Center, 1994), 14-1 a 14-2. Segundo C. S. Lewis, “retiramos o órgão e exigimos a função. Fazemos homens sem coração e esperamos deles virtude e espírito empreendedor. Zombamos da honra e ficamos chocados de encontrar traidores em nosso meio. Castramos e insistimos para que os castrados sejam férteis”. Citado por William J. Bennett, ed., The Book of Virtues: A Treasury of Great Moral Stories (New York: Simon & Schuster, 1993), 264–65.

24. William J. Bennett, “Revolt against God,” Policy Review, WINTER 1994, 19–24. Nos Irmãos Karamozov, Fyodor Dostoyevsky observou que “se Deus não existir, tudo é permissível”. Citado por Dr. Ron Jenson, Make a Life, Not Just a Living (Nashville: Thomas Nelson Publishers, 1995), 155. Stephen L. Carter fala de quão longe foi nossa sociedade no seu desdém pelo que é espiritual. É irônico que esse comentário venha de um liberal, não de um conservador religioso.Veja-se seu Culture of Disbelief.

25. Little Blue Book. “Os profissionais e, particularmente seus comandantes, precisam não tomar a si mudar ou influenciar coercitivamente a visão religiosa de seus subordinados.”

26. Em agosto de 1993, a Academia da Força Aérea dos Estados Unidos criou o Centro para o Desenvolvimento do Caráter. Veja-se Maj Brian F. Hall, com Cel David A. Wagie, “The US Air Force Academy’s Cutting-Edge Character Development Program,” Airpower Journal 10, no. 2 (Summer 1996): 35–39. Ironicamente, o centro foi idéia e concepção do Major Capelão Brian Van Sickle.

27. Character Development Manual. O domínio ético/espiritual é um dos quatro da Academia da Força Aérea. Os outros são: acadêmico, de treinamento militar e atlético. Além disso, a academia desenvolveu um resultado do desenvolvimento do caráter que enfatiza a dimensão espiritual.

28. Cel Charles R. Myers, “The Core Values: Framing and Resolving Ethical Issues for the USAF,” Airpower Journal 11, no. 1 (Spring 1997): 38–52. O Cel Myers afirma que os valores centrais são uma moldura do raciocínio moral. Meu argumento é que o raciocínio moral é apenas uma parte do desenvolvimento abrangente do caráter que incluem os domínios cognitivo, afetivo e comportamental. O que sustento é que só o raciocínio moral não é suficiente. Veja-se, também, C. S. Lewis, The Abolition of Man (New York: Macmillan, 1947).

29. Veja-se Charles W. Colson, “A Question of Ethics,” Airpower Journal 10, no. 2 (Summer 1996): 4–12.

30. O Pós-modernismo é “um movimento, no pensamento do final do século XX, que rejeita o iluminismo, o racionalismo, o individualismo e o otimismo. O Pós-modernismo se caracteriza pelo niilismo e pela subjetividade radical.” Dennis McCallum, The Death of Truth (Minneapolis: Bethany House Publishers, 1996), 283. Além disso, o Pós-modernismo é a base filosófica da “correção política”. Veja-se, também, Gene Edward Veith Jr., Postmodern Times (Wheaton, Ill.: Crossway Books, 1994).

31. USAFA Instruction 36-158, Supporting Cadet Character Development, 19 October 1995, 3.

32. Character Education in U.S. Schools: The New Consensus (Alexandria, Va.: Character Education Partnership (CEP), 1996), 1. Algumas outras fontes que descrevem o atual movimento de educação do caráter incluem Kevin Ryan e Thomas A. Lickona, eds., Character Development in Schools and Beyond (Washington, D.C.: Council for Research in Values and Philosophy, 1992); Thomas A. Lickona, Educating for Character: How Our Schools Can Teach Respect and Responsibility (New York: Bantam Books, 1991); e William Kilpatrick, Why Johnny Can’t Tell Right from Wrong: Moral Illiteracy and the Case for Character Education (New York: Simon and Schuster, 1992). Três organizações nacionais estão envolvidas no movimento de educação do caráter: CEP, Josephson Institute of Ethics, e o Communitarian Network.

33. Character Education in U.S. Schools, 1. Também inclui o cultivo de virtudes e o cultivo de ética. Gabriel, 152.

34. Precisamos criar elevadas expectativas para nossos membros — “tenha elevados propósitos”. As pessoas não devem perceber essas expectativas como mínimo denominador comum. Devemos ter padrões mínimos para todos na Força Aérea, mas padrões (e ideais) mais elevados para sargentos, oficiais e outros em comando.

35. Isto também exigiria, provavelmente, uma reforma substancial do sistema.

36. James H. Toner, “Gallant Atavism: The Military Ethic in an Age of Nihilism,” Airpower Journal 10, no. 2 (Summer 1996): 18.

37. As virtudes cardeais são assim chamadas porque derivam da palavra latina cardo, que significa gonzo. A virtude é uma disposição habitual e firme para agir bem. As virtudes cardeais são a prudência (ou sabedoria), a justiça (ou veracidade), a temperança (ou moderação), e a fortitude (ou coragem). A rocha das virtudes cardeais fornece uma fundação muito mais firme do que a dos valores centrais. Adaptado de um artigo inédito de Toner.

38. Uma sugestão acarreta no desenvolvimento de um modelo modificado de desenvolvimento do caráter semelhante ao do Dr. Lickona e da Academia da USAF (veja-se página 21 do Character Development Manual).

39. Maj Gen Jerry E. White, “Personal Ethics versus Professional Ethics,” Airpower Journal 10, no. 2 (Summer 1996): 32–33. O Design for Spiritual Development (Colorado Springs, Colo.: US Air Force Academy, 1994), da Academia da USAF, afirma que “a educação do caráter precisa conseguir um cuidadoso ajuste entre eliminar a religião e um ensino confessional. É preciso reconhecer que a educação do caráter jamais deve ser vista como um substituto da religião nem como um instrumento da religião” (página 2).

40. Cel Robert S. Ainslie et al., Ethics in the US Air Force: 1988 (Maxwell AFB, Ala.: Air University Press, February 1990).

41. O Dr. Toner desenvolveu uma idéia que coloca o caráter e o princípio ético em primeiro lugar , sustentando que “Dever, Honra, Pátria”, nem é bastante claro, nem é suficiente. Veja-se True Faith and Allegiance, 65–70.


Colaboradore

O Major Carl D. Rehberg (Bacharelado, California State University, Los Angeles; Mestrado, University of South Dakota; Doutorado, University of Colorado at Denver) é programador de operações de bombardeiros, aeronaves-tanque e aeronaves dotadas de sistema aerotransportado de controle e alerta antecipado (AWACS) no QG da USAF, Washington, D.C. Citam-se, entre suas comissões anteriores, várias funções na Academia da Força Aérea (USAFA), tendo a mais recente sido desempe-nhada no Centro de Desenvolvimento do Caráter, na USAFA, e diversas funções de vôo com o B1-B e o KC-135A na Base Aérea Elsworth, Dakota do Sul, e na Base Aérea de Grand Forks, Dakota do Norte, respectivamente. O Maj Rehberg cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais da USAF, a Escola de Comando e Estado-Maior do Corpo de Fu-zileiros Navais dos EUA e a Escola de Comando e Estado-Maior da USAF.

As opiniões expressas ou insinuadas nesta revista pertencem aos seus respectivos autores e não representam, necessariamente, as do Departamento de Defesa, da Força Aérea, da Universidade do Ar ou de quaisquer outros órgãos ou departamentos do governo norte-americano.


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